Treinamentos personalizados, para a Natura e para sua empresa
5 de agosto de 2020
A Metodologia Eficaz para Memorizar e Descrever Cheiros
18 de setembro de 2020

Perfumes de 50 anos – Bodas de Ouro de Ícones da Perfumaria

Inspirada no mês do aniversário de 8 anos da Paralela Escola Olfativa, escolhi preparar uma resenha de perfumes que também completam seus anos de história e são ícones da perfumaria.

Uma série de encontros entre perfumistas e tendências que completam suas Bodas de Ouro em 2020.

Para criar um perfume, é preciso ter conhecimento do que o nariz do consumidor busca, transformar movimentos culturais, sociais, políticos em notas olfativas. E algumas fragrâncias nascem para serem disruptivas.

Paul Parquet e François Coty são exemplos disso.

Paul Parquet à esquerda e François Coty à direita (via Wikipédia)

 

Quando harmonizou um ingrediente sintético, a cumarina, com o já tão conhecido e usado óleo essencial de lavanda no perfume para Houbigant, em 1882, Paul Parquet formulou um perfume tão extraordinário para a época que uma nova família olfativa foi criada – os fougères.

François Coty, empreendedor sem experiência em química, mas com um espírito inovador avassalador, foi também capaz transformar o nome do seu perfume em uma nova forma de classificação de perfumes – os chipres.

Será que Olivier Cresp sabia, quando criou Angel para Thierry Mugler em 1992, que seria o criador de geração de gourmands, hoje uma faceta tão essencial na perfumaria contemporânea?

Quantas histórias um perfume pode ter…

Olhar para o passado movimenta o ciclo de tendências na perfumaria. Hoje, lembraremos perfumes de meia década atrás pra celebrar as bodas de ouro de perfumistas e perfumes icônicos. A classificação olfativa de cada um foi feita com a expertise da Paralela e metodologia Cinquième Sens.

70s

David Bowie e arte de Andy Warhol

 

A década de 1970 traz muitas referências na moda: o movimento hippie no começo da década, o artesanal a pop art de Andy Warhol, o glam de David Bowie que preconizava a era disco dos anos 80.

Na perfumaria, a overdose era o elemento comum entre os best-sellers.

Nicolas Mamounas criava Eau de Rochas, um cítrico-chipre com overdose de tangerina, corpo de rosas e flores brancas, jasmim e narciso, equilibrado com o sintético transparente hedione, e fundo vetiver, mirra e o musgo de carvalho, ingrediente fundamental para a faceta chiprada.

Teria Robert Gonnon com O de Lancôme e seu frescor cítrico-chipre e overdosagem de limão, inspirado Nicolas Mamounas na sua criação?

A marca Réminiscence foi criada no ano zero da década, debutando com os perfumes, Patchouli, Musc e Ambre e suas super dosagens de patchuli, almíscares brancos e vanilla, respectivamente. O grande sucesso da marca, no entanto, acontece anos depois, com o perfume Rem, de 1996. Rem é “mer”, mar e francês, escrito ao contrário.

Guy Robert, perfumista que orquestrou fórmulas de sucessos milionários, em 1970 criou dois perfumes essenciais na perfumaria: Equipage, de Hermès, e Dioressence, de Dior. No ano anterior, o seu fougère-especiado Monsieur Rochas já desfilava virilidade no pescoço de homens pelo mundo.

Equipage pode ser resumido em dois principais ingredientes: a noz-moscada e o vetiver, um amadeirado, aromático, especiado, cítrico interessante para quem tem nariz investigativo.

 

Guy Robert

 

Para Dior, o perfumista criou um oriental-especiado-floral notas florais, aldeídicas, que encontraram a harmonia perfeita entre o quente da canela e uma nota verde fresca e expressiva. Uma feminilidade mais natural, jovial e equilibrada que a década buscava depois de uma era de florais pesados e opulentos, como Chamade, de Jean-Paul Guerlain (1969), com overdosagem tripla de gálbano, ylang-ylang e vanilla.

 

Perfumes de 50 anos – da esquerda pra direita? Eau de Rochas, O de Lancôme, Musc/Ambre/Patchouli de Réminiscence, Equipage e Dioressence

 

Nos próximos dois anos, Rive Gauche (de Michel Hy, Givaudan), Chanel Nº19 (de Henri Robert) , Aromatics Elixir (de Bernard Chant, IF) e Diorella (Edmond Roudnitska) também celebrarão meio século de sucesso com seus criadores.

A vantagem inegável de se estudar as referências do passado é ter o conhecimento do que fez sucesso para inspirar o futuro com novas tendências.

E você já usou algum desses perfumes? Conta pra gente

 

crédito capa: Chloe Effron / arte: Paralela Escola Olfativa

Paralela Escola Olfativa
Paralela Escola Olfativa
Uma escola livre que nos inspira não só a pensar ou fazer diferente, mas a sentir. Somos a única no Brasil a oferecer certificado pela Cinquième Sens (escola francesa com 43 anos de atuação na França e presente em mais de 10 países) e a pioneira no Brasil, em que sentir para entender a perfumaria é a principal metodologia. Não ensinamos fórmulas prontas: ensinamos a pensar, a ousar. Nesses quase 8 anos de atuação, recebemos mais de 1200 alunos na nossa sede, em São Paulo, e os incentivamos a olhar para a perfumaria em todos os ângulos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Open chat